Recuperação da Indústria Nacional

Recuperação da Indústria

A equipe econômica projeta uma recuperação de 3,20% no PIB em 2021 e de 2,50% em 2022. Já no último Relatório Focus, os analistas consultados pelo Banco Central esperam um crescimento de 3,50% em 2021 e 2,50% em 2022. 

O que parece ser uma boa notícia, no entanto, deve ser vista com cautela. A segunda onda da pandemia, o fim do auxílio emergencial, a incerteza em relação ao cenário político e aprovação das reformas administrativa e tributária,  nos deixa um ponto de interrogação.

O empreendedor brasileiro, entretanto, está acostumado com fortes emoções. Crises fiscais, alta carga tributária, deficiências na educação e qualificação da mão de obra. E mesmo assim, muitas empresas se superam e conseguem se reinventar.

Em novembro de 2020, pelo sétimo mês consecutivo, a recuperação da indústria brasileira apontou aumento na produção, registrando crescimento acumulado de 40,7%. O nível de produção atual da indústria é o maior desde 2018, apesar de ainda estar 13,9% abaixo do pico. 

O índice de produtividade da indústria – medida do volume produzido dividido pelas horas trabalhadas – também mostra recuperação: cresceu 8% no terceiro trimestre de 2020, em relação ao trimestre anterior, e o volume produzido cresceu 25,8%, de acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), que também aponta aumento do otimismo em 22 de 30 setores industriais em novembro. A entidade prevê que o PIB industrial deva crescer 4,4% em 2021.

São animadores também, os dados que resumem o desempenho do setor de máquinas e equipamentos em 2020. Divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) em janeiro/21, o levantamento apontou a receita líquida de 13,4 bilhões de reais, um crescimento de 36,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A receita do ano totalizou R$ 144,5 bilhões, representando um aumento de 5,1%.

Tributação e Mudança Cultural

As queixas de muitos empresários têm fundamento. A carga tributária brasileira é uma das mais elevadas do mundo, principalmente sobre as indústrias, e tem a maior alíquota (34%) da tributação sobre a renda das empresas, de acordo com o Banco Mundial. Considerando o total de impostos e contribuições recolhidos como porcentagem do lucro, a proporção é de 65,1%, valor muito superior ao observado na maioria dos países.

“É verdade que a carga tributária atrapalha, mas ela não justifica a nossa falta de competitividade e produtividade. Acredito que o problema é muito mais cultural, um paradigma mental que tem que ser mudado. Falta no Brasil, para a recuperação da indústria, um projeto de desenvolvimento, pesquisa aplicada e tecnologia”, afirma Marco Túlio Zanini, professor da FGV EBAPE. Ele diz que o Brasil se tornou um país que prioriza a produção de commodities com pouco valor agregado, isso faz com que a indústria perca participação no PIB e nos elos da cadeia produtiva, gerando um processo de desindustrialização,

Inovação já!

Portanto, para poder aproveitar a retomada que virá em 2021 e atuar na recuperação da indústria, as empresas brasileiras têm uma importante lição de casa a fazer. É preciso avançar em aspectos como produtividade e competitividade, quesitos em que o país ocupa sempre as últimas colocações em rankings mundiais.

“Nossas empresas olham muito para o curto prazo, têm uma visão focada no financeiro de no máximo três anos. Precisamos investir em pesquisa aplicada e desenvolvimento, e levar inovação a sério. Para isso, é preciso ter visão de futuro e planejamento de longo prazo. Só assim poderemos disputar mercado com outros países”, defende Marco Túlio. 

Investir em inovação é fundamental, não apenas a relacionada à tecnologia, mas a mudança de mentalidade. E a pandemia do novo coronavírus pode ter sido um forte estimulante para esse processo, porque obrigou muitas empresas a sair da zona de conforto e se expor ao risco, até por uma questão de sobrevivência. 

Muitos profissionais acostumados a evitar erros e controlar processos foram obrigados a arriscar, criar novas soluções e repensar seus modelos de negócio, lidando com contextos incontroláveis e incertezas em relação ao futuro. 

Ações de respostas rápidas à crise, como a mentalidade de startup, as tecnologias disruptivas e os serviços online deverão ser incorporados à nossa rotina. Mas, para isso, é preciso sair da bolha do dia a dia, se conectar com especialistas, conversar com conselheiros e profissionais que ajudem a empresa a enxergar onde ela está agora e onde quer estar daqui a um, dois, cinco, dez anos.

Conheça os dez tipos de inovação que podem transformar os negócios. https://www.consumidormoderno.com.br/2020/12/04/10-tipos-de-inovacao-para-transformar-os-negocios-em-tempos-de-mudancas-exponenciais/

Como acelerar o crescimento?

Uma pesquisa realizada pela CNI revelou que 70% das empresas já retornaram aos mesmos níveis de produção e faturamento de antes do início da pandemia no Brasil, e estão com o mesmo nível de emprego. A pesquisa foi divulgada durante o Encontro Nacional da Indústria (ENAI), em 17 e 18 de novembro, com o tema “Como a indústria pode impulsionar o crescimento do Brasil”.

Todo o conteúdo do evento pode ser acessado aqui: https://www.portaldaindustria.com.br/cni/canais/enai/programacao/ 

Na pesquisa, quando perguntados sobre quais as medidas mais importantes para acelerar a recuperação da indústria e o crescimento dos negócios, os itens mais citados foram busca de novos fornecedores e aquisição de máquinas e equipamentos, e logo em seguida adoção de novas técnicas de gestão na produção, investimento em novos modelos de negócio e investimento em novas tecnologias. 

Júlio Coelho, sócio-diretor da Quality Way, explica que, com as sucessivas crises pelas quais passamos, muitas empresas estão sucateadas e pressionadas por maior competitividade, produtividade e eficiência. “É preciso vencer a obsolescência, ser mais ágil e eficiente, mas é difícil para as empresas fazerem isso sozinhas. Uma consultoria pode ser um recurso muito útil nessa situação, pela capacidade de aportar conhecimento, promover mudanças e produzir resultados rápidos. O país depende desse tipo de contribuição para voltar a crescer”, afirma ele.

Uma consultoria empresarial pode, por meio da visão de alguém de fora, identificar falhas em processos e aumentar a eficiência, otimizar a utilização de recursos e reduzir custos, além de estudar novos modelos de negócio, explorar novos mercados, promover atualização e velocidade na tomada de decisões.

 Porém, na hora de escolher a sua, é importante avaliar o portfólio e a experiência da consultoria no mercado, conversar com outros clientes, buscar referências e recomendações e definir, muito bem, qual o foco do trabalho e seus objetivos.

A experiência que dá certo!

O engenheiro Luiz Iervolino participou de uma consultoria quando trabalhava na Camargo Correia Desenvolvimento Imobiliário, pouco tempo atrás. Ele conta que, na época, alguns processos não estavam bem definidos, havia lacunas entre eles e as áreas, tarefas em duplicidade e alguns “buracos”, gerados por pouca colaboração entre os setores.

 “A consultoria fez uma análise completa e profunda dos processos, envolvendo todos em uma discussão participativa, fortalecendo as relações entre as áreas e as pessoas. Fomos achando pontos de melhoria e os resultados foram surpreendentes.” Ele diz que, durante o processo, a empresa descobriu novos talentos, ganhou agilidade, identificou mais de 200 oportunidades de melhorias que foram catalogadas e posteriormente implementadas, e assuntos que antes não eram tratados por ninguém e criavam problemas foram enfrentados. 

Além disso, a organização estabeleceu as condições para obter certificações em várias normas de segurança, qualidade e responsabilidade social. “Passamos a funcionar como uma orquestra, afinados, com eficiência, assertividade, clareza de papeis e muita colaboração entre as pessoas. Definimos também indicadores para poder acompanhar e medir os resultados.”

Esteja preparado!

“As empresas precisam repensar vários aspectos do seu negócio, rever questões de gestão, tecnologia, investimentos e descobrir formas mais eficientes de operar. A pandemia será controlada e a retomada virá. A questão é que, para aproveitar os bons ventos, a sua empresa tem que se preparar”, sugere Luiz Iervolino.

Eu acredito que, depois de termos uma boa parte da população vacinada, virá uma forte retomada, uma onda de empolgação, otimismo e euforia que sempre vem depois de grandes crises. A vida e o consumo voltarão ao normal, e a economia vai girar de novo. E as empresas tem que estar preparadas para essa nova fase”, afirma o professor Marco Túlio. 

Nos períodos de crise os investimentos ficam sempre estagnados. Nos momentos de retomada, como esse que virá, é comum as empresas não investirem em melhorias internas por “falta de tempo”, já que agora a prioridade é “correr” para atender os pedidos que estavam represados pela crise. Cria-se um ciclo vicioso: quando tenho tempo, não tenho recurso; quando tenho recurso, não tenho tempo.

É importante quebrar esse ciclo e pensar a longo prazo. Investir na otimização dos processos para ganhar eficiência e agilidade é importante sempre, mas nos dias de hoje, dada a situação geral de produtividade da nossa indústria, é simplesmente crucial. Só assim, estaremos melhor preparados para enfrentar outras crises e continuar crescendo.

Afinal de contas só temos duas opções: crescer ou morrer!!, finaliza Julio Coelho.

Veja os cases de empresas que estão avançando na inovação em seus negócios, garantindo maior eficiência e competitividade, na nossa página CASES.

Assuntos Relacionados