Automação Financeira - TD

Transformação Digital Financeira: hora de incorporar a cultura das fintechs.

Todo gestor reconhece, seja qual for o porte da organização onde atua: incluir a transformação digital financeira como parte do planejamento estratégico pode representar oportunidades de crescimento ou, no pior cenário, a sobrevivência do negócio. Caso isso ainda não tenha ficado claro, esqueça por um momento os desafios de sua empresa e preste atenção no smartphone.

Agora responda: quanto da sua vida financeira está organizada nele?

Mesmo antes da pandemia, um estudo realizado pela consultoria IDC já indicava que seis em cada 10 brasileiros das classes A, B e C utilizavam meios de pagamento digitais, como PayPal ou PagSeguro. A necessidade em manter o distanciamento social, adotar o trabalho remoto, entre outras mudanças no comportamento do consumidor, acelerou o desenvolvimento de soluções tecnológicas no setor financeiro – as fintechs.

Em outras palavras: na prática, qualquer cliente insatisfeito com os serviços oferecidos pelo seu banco pode optar por abrir outra conta, em qualquer outra instituição, sem sair de casa e usando aplicativos.

Mas qual a relação entre a experiência cotidiana de um consumidor e a transformação digital das organizações? Adotar esse posicionamento vai além da digitalização de informações visando a automação financeira e de outras áreas. É, antes de tudo, uma revisão cultural, que considera a jornada com o olhar do cliente, interno e externo, cada vez mais exigente.

Evolução do setor financeiro: a lição do Pix

É o caso dos serviços financeiros. Instituições deste segmento conciliam, há bastante tempo, investimento em tecnologia e uma visão centrada no consumidor. Parte desse movimento é consequência da regulamentação de fintechs de pagamento e crédito, ampliação dos canais digitais para atendimento, uso e compartilhamento de dados e informações financeiras entre instituições (open banking), entre outras iniciativas estimuladas pelo Banco Central.

“Temos um sistema financeiro dos mais modernos do mundo e que, todos os anos, faz grandes investimentos em tecnologia. Esse processo viabiliza novos modelos de negócio, mais leves e que, portanto, podem facilitar a inclusão financeira. Os bancos digitais e algumas instituições de pagamento, por exemplo, têm demonstrado capacidade de alcançar populações que antes não tinham acesso a serviços financeiro”, celebra o economista Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, em entrevista ao site noomis.

A maior demonstração desse impacto é o sistema de pagamentos instantâneo – ou Pix, como foi nomeado pelo BC. Lançado em novembro de 2020, a modalidade já representava 78% das transações bancárias realizadas no Brasil após dois meses. Em outubro de 2021, estimou-se em 40 milhões o número de pessoas que já realizaram alguma transação por meio do Pix. É um volume de usuário jamais alcançado com nenhum outro meio de pagamento digital.

Como levar a mesma cultura que proporcionou esta evolução acelerada dentro das organizações? Se as barreiras de relacionamento entre consumidores e serviços financeiros vêm caindo, ainda há uma jornada extensa a ser percorrida internamente, na rotina de gestores e equipes de um departamento financeiro. Uma pesquisa conduzida pela Ernst & Young (EY) aponta que, embora 92% dos líderes financeiros já tenham estabelecido as bases para ações de digitalização, apenas 11% delas entendem que estão em um estágio avançado.

Tecnologias digitais e prioridades na automação financeira

O mesmo relatório da EY revela quais são as prioridades para automação financeira e seu aprimoramento: em sua grande maioria, estão as tarefas repetitivas do dia-a-dia contábil, como gerenciamento de relatórios e demonstrativos de fechamento.

Um bom exemplo para evidenciar a importância da automação de processos financeiros repetitivos é a emissão de notas fiscais. Documentos que registram transações envolvendo produtos e serviços (NFe ou NFSe), registrando o recolhimento de ICMS, ISS ou IPI, ou que comprovam origem e autorizam o transporte de cargas (CTe). No mercado de e-commerce brasileiro, não há como competir e sobreviver sem um fluxo ágil, totalmente automatizado, normalmente apoiadas por startups que se debruçam em escrituração digital.

Enquanto procuram entender quais são seus desafios, também é crucial identificar quais tecnologias podem alicerçar soluções. A consultoria norte-americana McKinsey identificou as áreas de tecnologia mais aderentes ao uso em finanças:

  • Reconciliação de dados para garantir acesso a informações estruturadas por meio de dashboards;
  • Automação financeira e robótica para melhorar processos e substituir tarefas humanas;
  • Análises avançadas para acelerar o suporte à decisão.

O que fazer com os sistemas legados?

Este costuma ser o primeiro passo no processo de digitalização e viabilidade de processos: um inventário das principais tarefas e ferramentas da empresa. É possível investir em soluções em qualquer área: depende das necessidades e capacidades da organização. Ao contrário das empresas nativas digitais, o principal desafio está na massa de sistemas legados, plataformas e bancos de dados as vezes obsoletos, mas que seguem em uso.

Esses sistemas não foram desenhados para dar foco em dados, mas sim desempenhar funções específicas: gestão de pagamentos e recebimento, fluxo de caixa, controle fiscal, orçamento, contratos, etc. Como consequência, informações financeiras cruciais são coletadas por meio de sistemas diferentes e armazenados em silos. Sem a preocupação com a estruturação e padronização de fluxos, frequentemente os formatos de dados não são compatíveis ou simplesmente não são acessíveis.

Já existem tecnologias disponíveis para automatizar coleta, conexões e análise de sistemas legados, além de estender sua vida útil por meio de soluções que priorizem sua conectividade e segurança. Dados estruturados e acessíveis convidam a modelagem de processos capazes de ser realizados sem intervenção humana, incluindo a geração de relatórios padronizados.

Nesse contexto, ferramentas para automação robótica de processos (RPA) avançaram de forma a serem implementadas em áreas distintas. Organizações com uma base de clientes muito grande ou com necessidade em escalar o negócio podem avaliar o uso de recursos baseados em chatbots para coletar e tratar informações comportamentais de seus clientes.

Após uma análise de oportunidades de reconciliação dos dados e automação financeira, é possível implantar um ou mais projetos piloto, em escala reduzida, cada um com foco em uma tarefa crítica. Avalie: quanto tempo sua empresa leva para coletar e organizar dados em demonstrativos e painéis de controle?

Análises avançadas e entrega de valor

Na transformação digital financeira em uma organização, o primeiro passo está relacionado às ferramentas, técnicas e processos apoiados em uma infraestrutura escalável, flexível e capaz de oferecer boa performance, ganho em produtividade, gerenciamento de dados, clareza nos indicadores de desempenho e redução de erros.

O passo seguinte é fazer com que a unidade financeira da organização se torne um parceiro estratégico do negócio, capaz de oferecer insights ou suporte à tomada de decisão em tempo real. Essa é uma das razões mais evidentes para ganhar tempo em processos rotineiros.

Soluções baseadas em machine learning e inteligência artificial podem extrair dados de negócio e compreender os melhores cenários para a administração de recursos, bem como o reconhecimento de brechas e oportunidades de negócio: dados de vendas, pedidos, cadeia logística, otimização de preços, identificação de clientes inadimplentes, prevenção de fraudes, entre outras discussões táticas.

Mexa-se antes do seu concorrente

Para que a transformação digital financeira seja realista, não basta contratar a melhor tecnologia emergente: faz sentido incorporar práticas centradas no usuário, como se vê nas fintechs. Durante uma palestra em 2014, Bob Herbold, ex-COO da Microsoft, já indicava o valor da transformação digital financeira ao recuperar histórias de empresas expulsas do mercado por conta da inovação. “Quando empresas bem sucedidas precisam mudar? O tempo todo. Olhe ao seu redor. Encare a realidade. Mergulhe em novas ideias e veja o que elas podem representar.”

Digitalizar informações e dissecá-las em planilhas e bancos de dados é a parte mais fácil. Ainda que práticas antiquadas estejam funcionando, são grandes as chances delas se tornarem obsoletas rapidamente. É como disse Bob Herbold: repense as suas práticas antes que seu concorrente faça isso por você.

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