IPEL COMEMORA UM ANO DE BOAS PRÁTICAS DE FABRICAÇÃO
A Ipel, tradicional fabricante de embalagens para o setor cosmético, completa um ano de implantação de Boas Práticas de Fabricação. Fundada em 1975 e com fábrica em Cajamar (SP) desde 2001, a Ipel tem cerca de 500 funcionários e entre seus principais clientes destacam-se gigantes como Natura, O Boticário e Avon, que representam 75% de seu faturamento.
Julio Moreira Coelho, sócio-diretor da Quality Way, contratada para dar toda a consultoria e ajudar a Ipel nessa implantação, explica que com a abertura do mercado para concorrentes chineses e indianos, a empresa apresentava perda de mercado, de faturamento e de produção, e precisava de um diferencial competitivo.
“Atualmente, ter Boas Práticas de Fabricação passou a ser uma exigência do mercado”, diz Coelho. Ele acrescenta que não é de hoje que a Ipel tem esse tipo de preocupação. “Além de instituirmos a ISO 9000, já implantamos na Ipel a SA8000, a mais prestigiada norma de responsabilidade corporativa e de direitos humanos no trabalho”, conta.
Por meio da higiene das pessoas, das instalações e do processo de produção, as Boas Práticas de Fabricação asseguram que os produtos cheguem aos clientes e consumidores com qualidade e livre de qualquer tipo de contaminação que represente risco. Um produto cosmético não pode afetar a saúde do consumidor, nem deve sofrer deterioração devido a presença ou multiplicação de microorganismos. Para evitar esta condição é essencial respeitar as Boas Práticas de Fabricação, que aplicam-se a todas as indústrias de cosméticos, perfumes e produtos de higiene, incluindo toda sua cadeia produtiva (matérias-primas, embalagens e serviços), onde o controle total é essencial para assegurar que cada consumidor receba produtos de alta qualidade.
Na verdade, não há legislação e diretrizes específicas de Boas Práticas de Fabricação para os fabricantes de embalagens. A Portaria nº 348, de 18 de agosto de 1997 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), determina a todos os estabelecimentos produtores de produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, o cumprimento das diretrizes estabelecidas no regulamento técnico, encontrado no Manual de Boas Práticas de Fabricação para Produtos de Higiene Pessoal, Cosméticos e Perfumes. Isso engloba cuidados para pessoal (higiene pessoal, estado de saúde controlada, uso de equipamentos de proteção individual, treinamento e capacitação dos funcionários) edifícios e instalações (áreas interna e externa, e área de acesso) e produção (operação, armazenamento e transporte, higiene e limpeza, contaminação cruzada, equipamentos e utensílios, controle de pragas e manejo de resíduos.
“Fizemos uma adequação para a Ipel, pois os seus produtos não entram em contato direto com o consumidor. É diferente de quem produz um batom ou um alimento, por exemplo. O cuidado é outro. Mas a Ipel mostrou-se tão engajada, que agimos como se fosse tudo crítico, mesclando os quesitos das indústrias de cosméticos, de medicamentos e de alimentos, para as quais a ANVISA é super rigorosa”, esclarece Carolina Larucci Vieira, consultora da Quality Way.
Busca constante pela excelência
Por meio de um check list para avaliação de fornecedores, foi constatado que a Ipel necessitava de adequações físicas e estruturais; de pessoal e treinamento; na área de saúde e seguranã no trabalho e também no que se referia a responsabilidade ambiental e social. “Com base neste check list e nos requisitos legais aplicáveis, fizemos um primeiro levantamento das necessidades da Ipel com foco na parte física e estrutural e, em seguida, levantamos as necessidades de documentação e treinamentos”, explica Carolina. Ela conta o trabalho foi iniciado pela área de resíduos, com investimento em torno de R$500 mil só nessa fase.
De acordo com as Boas Práticas de fabricação, todos os resíduos gerados pela empresa – industriais e orgânicos – tem que ser organizados, não podem apresentar mal cheiro e nem serem misturados entre si. “Foram feitas baias azulejadas, com ligação para água, e uma grande infraestrutura para organizar esses resíduos. Eles tiraram todos os materiais da área de expedição, passaram reboques em todas as paredes, fizeram cantos abaulados para não acumular sujeira, passaram tinta epóxi no chão. Nem era preciso tanto, mas a Ipel se empolgou. A busca da excelência sempre foi a sua marca”, diz Carolina.
Depois desta adequação foi feito um levantamento de todas as necessidades de documentação e a Quality Way elaborou dois manuais, usados como base nos treinamentos realizados com os funcionários: o de Higiene e Limpeza, para pontuar e formalizar todos os aspectos relacionados à higiene pessoal e limpeza das diversas áreas da fábrica e o de Boas Práticas de Manufatura, com o objetivo de organizar e seguir a produção de forma segura para que os fatores humanos, técnicos e administrativos que influem sobre a qualidade dos produtos estejam efetivamente sob controle.
Foi elaborado também um Manual Prático de Treinamentos contendo alguns requisitos básicos do Guia de Melhores Práticas, focado na parte de pessoal, com uma linguagem mais adequada ao público-alvo. Todos os funcionários da Ipel passaram pelo treinamento neste manual e ele também passou a ser utilizado para o processo de integração de novos colaboradores, que começam a realizar suas atividades na empresa nos moldes das Melhores Práticas de Fabricação.
“Com estes guias práticos todos os funcionários e colaboradores dispõem das mesmas informações e fica mais fácil estarem alinhados nessa nova postura da Ipel”, afirma Carolina. Ela conta que os funcionários aderiram rapidamente aos novos procedimentos. “Ao passear pela fábrica já pude constatar que as mulheres não usam mais adornos, que apresentam riscos para a segurança pessoal e integridade dos produtos. Os homens mantêm os cabelos, costeletas e barbas bem aparadas. E todos vêm agora com sapatos fechados, sempre”, comemora. Para finalizar esta fase, foi realizado um treinamento para auditores internos e em breve será realizada a correção das não conformidades.
Após a finalização do projeto de Boas Práticas de Fabricação, a Ipel já está se programando para se associar ainda este ano ao Programa de Qualificação de Fornecedores para a Sustentabilidade da ABIHPEC – Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos, criado para incentivar os fornecedores e prestadores de serviços do setor cosmético a buscarem uma qualificação voluntária de seus sistemas de gestão que assegurem a sustentabilidade do negócio .
A Ipel já está implantando um sistema de gestão ambiental, dando continuidade a um projeto iniciado em setembro deste ano, que estabelece procedimentos, indicadores e monitoramentos internos, tendo como foco o gerenciamento de resíduos, o que demonstra sua preocupação com a preservação do meio-ambiente. “A Ipel sempre esteve voltada para a preservação do meio-ambiente e tal decisão reforça o empenho da Ipel em integrar a cidadania corporativa à estratégia de seu negócio”, afirma Coelho, da Quality Way.